Se no passado pairava uma dúvida de qual seria a importância da tecnologia para o mundo jurídico, por ser uma classe de cultura bem conservadora, hoje já existe uma certeza: é impossível sobreviver profissionalmente sem aderir às estas tecnologias.

O início desta transformação aconteceu com a Lei 11.419, de 2016, que positivou o Sistema de Processo Judicial Digital (Projudi), mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Foi uma mudança de paradigma dos processos em papel para o mundo eletrônico. Isso envolveu um esforço contínuo, que, desde então, promove mudanças em procedimentos e estruturas de todo o sistema judiciário do país. Estas alterações trouxeram celeridade nos processos, economia em papel e estrutura para armazenagem – além de muito mais segurança para o judiciário e para todos que a ele se socorrem.

Com isso, toda uma classe de advogados (uma massa atual de 1,1 milhão de profissionais) foi obrigada a se adequar. Buscaram reciclagem, conhecimento e se reinventaram – por que não dizer?

Uma década após o início da mudança, o advogado não consegue mais atuar sem adesão a algumas destas tecnologias. Hoje elas são essenciais para o acesso à Justiça, que só é possível por meios eletrônicos. E as mudanças não cessaram no judiciário, pois os escritórios de advocacia estão cada dia se tornando mais hi-tech e foram incorporando as mudanças da tecnologia num ritmo acelerado. Buscam, assim, crescimento, rentabilidade e têm se torna cada vez mais estratégicos para seus clientes.

Com isso, a concorrência se transformou cada vez mais acirrada para os escritórios – e até mesmo para as chamadas law-techs e legal-techs, que buscam constantemente inovações para o mercado jurídico. Estas empresas de tecnologia observaram as mudanças e enxergaram um excelente mercado de atuação, uma vez que o judiciário tem uma massa gigantesca de processos que geram dados e possibilitam os mais diversos desenvolvimentos do mercado.

É possível observar que outras áreas como a contábil, administrativa e engenharia não tiveram tal crescimento por conta de ausência de dados armazenados num único local – que, no caso do judiciário, é o padrão CNJ: o grande diferencial que facilitou a vida das law-techs e legal-techs.

A quem diga que as inovações poderão substituir a função do advogado num futuro próximo. Mas, pelo contrário, a disputa das empresas de tecnologia pelas inovações trazem cada dia mais soluções para este mercado. Com isso, o papel do advogado vem mudando, bem como o dos escritórios de advocacia.

Fala-se até de robôs que pensam, como o “Watson” da IBM, mas será que eles substituirão os advogados? Não, pois o papel do advogado e do escritório de advocacia já mudou e quem não percebeu ficará no caminho…

Os escritórios atuais e seus profissionais devem ter o foco voltado para o negócio do cliente e em suas estratégias, buscando aprimorar seu valor agregado, deixando assim que os robôs realizem todos os procedimentos e processos burocráticos. O ponto é esse. Já existem advogados, dentro dos grandes escritórios, especializados em questões de tecnologia.

Após a grande mudança ocorrida no Judiciário na última década, o approach dos advogados e escritórios atualmente é conseguir extrair o melhor de toda a tecnologia atual. E como o mercado cresceu e são muitas ofertas, é preciso avaliar e ter uma equipe especializada dentro de cada um, medindo resultados de cada tecnologia nova implementada. Só desta forma que o Judiciário, advogados e clientes terão muitos frutos positivos a comemorar neste novo cenário.

Sandra Sales

 

Advogada 10 anos de experiência em gestão jurídica. Ampla vivência na Gestão de Projetos de Tecnologia, estando a frente dos assuntos de tecnologia do Benício Advogados desde 2012, sendo responsável pela busca de novas soluções e inovações do mercado, negociações com fornecedores do setor, desde o desenvolvimento até a implantação. Atua diretamente na análise, desenvolvimento e implementação de novos processos, agregando as novas tecnologias, visando melhorias de qualidade nas atuações técnicas.